sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Do amor e outras contestações




Era de vomitar teorias rejeitadas
Propor ménages e orgias crepusculares
Bacante
Dona dos calcanhares, senhora do meu útero
Era adepta a arrebatamentos juvenis

Com correntes confundi devoção
Com doutrina o elo forte
Ensaiei planar

Outros falos conjuguei
Diferentes teores e densidades
Desavindas vertigens, vinhos secos
Confesso que amei

“Quando o dedo aponta o céu, o imbecil olha o dedo”
Por Baco, como os quereres enganam-se de veredas!
E as revoluções confundem suas faíscas

Saudadava-me tua serenidade
A epiderme quente
O risinho tremilicoso
E a veneração estoica

Amado, aceito tua asa
Teu café pequeno e teus lençóis desarranjados
Enleva-me com tuas urgências
Faz-me nua, tua!
Baco perdoa...












quarta-feira, 2 de novembro de 2011

PALAVREAR TORTA



Tenho tendência para verbear:

O amor desnormaliza meu estar

Amizade azuliza

O injusto rebuliça e necessaria o comparsimento

Gramática dormece o criativar

A bosta descome o brigadeiro

Palavra desparafusada desengonça a linguagem

Poesia verbeia o sentir.

(Gisele Morais)

ABSTRAMENTO

 
 
É o incientificável
O livrantamento do que atuzinha os sentidos

A gente teima em medir, qualidar e besteirar.

Que-que o quê?
Poesia não se presta a qualquer-coisamento!

Sai dançando a ula com saia de chita
Brinca de casinha no nosso órgão de ser
E de esconder no órgão de ciençar

Quando escapole pelo fazer
Desenha o estar no ser
lua nos olhos.

(Gisele Morais)

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Intermitência


Nem os crepúsculos vaporosos
e as baladinhas intermináveis
 Nem o vinho fugaz
 ou os copos de aguardente.

 Quando nada ofusca a dor,
 É hora de parar
 soluçar
tomar ar
 e solitarizar.




terça-feira, 16 de agosto de 2011

Amor Habendis



Um querer-bem que não se acaba
 
Um querer-não que bate à porta
 
A porta que eu escancaro e arregaço
 
O regaço que eu ofereço e tranco
 
O pranto, o canto, o pranto

 Os olhos em flor

A vulva em cor

A dor latente

Os olhos em cor
 
A vulva latente

A dor em cor

 O amor em olhos-sollus

 O amor em vulva-ruma
 
O amor, que em ti é de mim, que em mim é de ti

 Semper Nostra



O que é de mim

Chega-te a mim em abundância
Não economizes dor, desatino ou versos
Traga-me o viço da pele e o furor dos olhos

Deturpa-me o caminhar e a dança dos dias, serei bruxa e fada tua

Ensina-me a ranger os dentes
a perder os sapatos
e esquecer de pôr a roupa íntima

Deixe que meus fluidos sequem no teu corpo

Ria dos meus excessos
Esqueça datas importantes e me dê flores em dias comuns


Não me peças que deixe o que passou
que ficou em mim, cativo

Por começo, tira-me de mim!

quarta-feira, 2 de março de 2011

Comercial x Palmeiras


Um campo esburacado,

Uma torcida esmorecida,

Um jogador contundido,

Quem diria que ali havia um poema?

Um massagista dando cambalhotas.