quarta-feira, 9 de novembro de 2011

LINDEZA





Deslinda a solidão

Esvazia a saudade

Fuma o orgulho

Escarra a dor

Goza a boniteza das coxas entrelaçadas



(Gisele Morais)

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Do amor e outras contestações




Era de vomitar teorias rejeitadas
Propor ménages e orgias crepusculares
Bacante
Dona dos calcanhares, senhora do meu útero
Era adepta a arrebatamentos juvenis

Com correntes confundi devoção
Com doutrina o elo forte
Ensaiei planar

Outros falos conjuguei
Diferentes teores e densidades
Desavindas vertigens, vinhos secos
Confesso que amei

“Quando o dedo aponta o céu, o imbecil olha o dedo”
Por Baco, como os quereres enganam-se de veredas!
E as revoluções confundem suas faíscas

Saudadava-me tua serenidade
A epiderme quente
O risinho tremilicoso
E a veneração estoica

Amado, aceito tua asa
Teu café pequeno e teus lençóis desarranjados
Enleva-me com tuas urgências
Faz-me nua, tua!
Baco perdoa...












quarta-feira, 2 de novembro de 2011

PALAVREAR TORTA



Tenho tendência para verbear:

O amor desnormaliza meu estar

Amizade azuliza

O injusto rebuliça e necessaria o comparsimento

Gramática dormece o criativar

A bosta descome o brigadeiro

Palavra desparafusada desengonça a linguagem

Poesia verbeia o sentir.

(Gisele Morais)

ABSTRAMENTO

 
 
É o incientificável
O livrantamento do que atuzinha os sentidos

A gente teima em medir, qualidar e besteirar.

Que-que o quê?
Poesia não se presta a qualquer-coisamento!

Sai dançando a ula com saia de chita
Brinca de casinha no nosso órgão de ser
E de esconder no órgão de ciençar

Quando escapole pelo fazer
Desenha o estar no ser
lua nos olhos.

(Gisele Morais)